segunda-feira, dezembro 31

200...8


Sob muitos pontos de vista, o trabalho de criticar é fácil. É uma posição em que pouco se produz, onde se arrisca ainda menos e, portanto, confere uma vantagem confortável sobre aqueles que oferecem o seu trabalho, o seu melhor saber (quero crer) e eles próprios, ao escrutínio estranho. Muitas vezes, com ou sem razão, prospera-se numa avalanche emocional e divertida de criticar a qual deveria, ela própria, estar sujeita aos mesmos pressupostos. Se por vezes esse saudável e necessário confronto, comunhão de ideias ou diferentes visões, não se cruzaram foi por, espero eu, mera falta de oportunidade já que o espaço se tem mantido inalterável e aberto a tudo e a todos.
Muito provavelmente, na imensa linha de montagem que é uma sociedade, a mediania e o suficiente, têm mais peso do que um mero “pensador de circunstâncias” da sua posição consegue contemplar e, talvez por isso, os esforços outrora criticados tenham mais significado que o que a crítica lhes atribui. Não existem verdades absolutas e esta verdade defendida, dentro “destas portas”, só terá obvio cabimento no seio social e no confronto com as demais opiniões.
Sempre surgi “às claras” com opiniões francas, por acreditar na injustiça de certas situações e, penso, ser sempre ser essa a atitude a ter, quando alguém encontra um motivo de defesa de ideias, princípios ou valores que vislumbra em risco. A visibilidade das mesmas é residual mas isso nunca foi nem irá ser motivo para me silenciar.
Este “caminho” começou a ser percorrido há cerca de 8 meses e, ainda que, o confronto de ideias tenha sido miserável, encontro motivos catarsicos suficientes para que ele continue. Que o novo ano seja melhor e que, a vontade de escrever surja como o resultado de boas circunstâncias e não, pelo contínuo perpetuar de, vamos lá, medianas acções de quem é ou devia ser responsável. Votos de um bom ano para todos.

sexta-feira, dezembro 28

Mentalidades



Encontrava-me imerso no jornal com mais tirada cá da zona, quando encontrei uma crónica sobre o crédito à habitação. O texto mostra o costume, que o poder de compra está mau, que as pessoas já não aguentam as sucessivas subidas de Euribor ou que os mais novos, mesmo licenciados, têm muita precariedade no emprego e a sua vida é possível apenas com a ajudas dos pais e, como tal, apesar de pensarem não conseguem adquirir casa.
A certa altura surge o depoimento de um empreiteiro e foi esse
que me fez largar uma gargalhada. Eu sou um daqueles que queria mas não pode. O trabalho é incerto, para já não falar que o mesmo, ora aparece perto, ora loooooooooonge. Mas voltando ao senhor…
A certo ponto diz, e cito: “ Eu baixei em cerca de cinco mil euros o preço dos apartamentos em relação ao que fazia à dois anos atrás. Ainda hoje aconteceu. Fui ter com um cliente e fiz-lhe o preço mínimo, abati cinco mil euros e ele fez uma contra-proposta para baixar dez mil euros. E assim não posso vender!”
Pois pudera! Coitado do homem, o Mercedes não anda a água! O que eu acho incrível é que este ramo de actividade ganhou durante anos o que quis e vê-los agora fazer este tipo de declarações, sabe-me a perfeita parvoíce. Evidente que as coisas têm custos mas a margem de lucro ainda hoje é, bastante boa, já a qualidade de construção... Dou um conselho: Não venda isso, faça assim. Como existem mais casas por habitar que habitadas (em Espanha passa-se o mesmo), qualquer dia o mercado dá de si, e depois eu quero ver o valor das suas casas ir para metade! Chama-se “lei da oferta e da procura”. Deixe-se estar que depois nessa altura conversamos.

Reformar



A reforma da saúde vai de vento em popa, ou assim deve pensar o ministro porque as populações... O governo vai encerrar 56 serviços de atendimento à população (SAP), mais umas quantas urgências que fecham às quais se juntam mais uma dezena de maternidades. Isto tudo a juntar aos SAP's, às maternidades e às urgências que já fecharam. É a contensão obrigatória dirão uns, é a organização dos meios que muitas vezes se encontra mal feita e, como tal, é preciso actuar dirão outros. Não duvido que houvesse casos que devessem ser repensados mas o que esta reforma tráz é uma rasia do sossego médico de muitas populações. O bem estar mental é a melhor medicina que uma pessoa pode ter numa situação de crise e o que esta reforma cria é a crise em altura de saúde. Para sossego das populações deveria arranjar-se uma solução mais universal. Depois existe a questão de que se pretende um estado cada vez menos centralizado mas é exactamente o contrário que esta reforma patrocina.
A par de todos os cortes e encerramentos o governo apresenta com pompa a contrução do hospital de todos os santos para a cidade de Lisboa. A minha cidade não será afectada com estas reformas, pelo menos que se saiba, mas se eu morasse numa dos locais que estão a ser alvo de redução de meios eu ficaria profundamente indignado com este investimento. Na cidade de Lisboa existem 7 hospitais públicos, não entrando em conta com os que se encontram na periferia, e os privados florescem como cogumelos. É certo que Lisboa absorve uma parte considerável da população e como tal deve ter cuidados em harmonia com isso mas as populações perdidas "na paisagem" também necessitam desses mesmos cuidados em harmonia com a sua situação. Harmonia para a paisagem não é urgências a 30 quilómetros ou maternidades do lado de lá da Fronteira ou num qualquer quilómetro de uma estrada nacional.
O hospital de todos os santos será necessário, pelo menos assim espero (200 milhões de euros sem derrapagens), mas ao longo de todo o país a necessidade também existe e, o pior de tudo é que, nova necessidade talvez se esteja a criar. Algo vai mal quando o cobertor parece não conseguir tapar pés e cabeça e se escolhe por importância. O normal é que uma pessoa se encolha durante uns tempos porque, sem pés, a vida também é muito difícil.


PS: Aproveito o tema para aconselhar e muito o filme SICKO. É imperdível.

quinta-feira, dezembro 27

Para rir . 5

Nova Lei, vida nova

Como todos sabemos a lei anti-tabaco vai entrar em vigor daqui a poucos dias. Novos hábitos vão ser necessários tal como muita força de vontade para muita gente. Daqui enviamos uma força em quem vai ter que mudar de hábitos. Até lá inspirem-se no vídeo para ver os benefícios que têm em apagar o cigarro.

Os "bons rapazes" do costume




Este país encontra-se mesmo votado à mediocridade e a procura pela excelência é abafada a cada atitude tomada. Sinto esta situação nos cargos dirigentes do sector público onde a cunha e o compadrio é tão natural como o ar que se respira. no entato via o sector privado diferente orientado numa postura e atitude mais profissional e responsável. Pois bem a crise no BCP veio deitar isso tudo por terra. A começar logo pelas responsabilidades do Banco de Portugal na matéria. Como entidade que regula o sector, o BdP deveria ter a atitude a que a ASAE habituou a população, isto é, anda em cima, não dá descanso, fiscaliza. O BdP não faz nada, arriscou-se a atirar o país para uma nova síncope económica (não esqueçamos que o BCP é o maior banco privado Português). Eu não sou accionista nem cliente mas se fosse duvido que permanecesse por muito tempo como tal. Então para que serve o BdP? Para nada. Em termos monetários o BCE controla o valor da moeda e define, ou melhor, determina em consequência as taxas de juro. O BdP apenas serve para encontrar o valor do défice do estado quando é preciso e para receber os ordenados porque nisso os seus administradores não devem falhar. Há já me esquecia, serve também para colocar em banho maria "amigos" dos partidos. Mas voltemos ao BCP.
O Presidente do BPI, um dos maiores accionistas do BCP, insurgiu-se publicamente a propósito da incapacidade fiscalizadora do BdP e da CMVM (ou CVM "à Berardo"). Ora se o BPI é accionista de referência não será que algumas coisas aconteceram com a conivência ou a falta de atenção do mesmo? Concorrência desleal disse Fernando Ulrich com toda a razão mas não será que tendo uma atitude mais... digamos interessada, essas situações não teriam sido conhecidas. Fernando Ulrich também comentou que os documentos entregues por Berardo já eram do seu conhecimento. Se eram porque não se chegou à frente? Ficaram à espera do cowboy de serviço que neste caso até existe. Que seria deste caso sem o implacável Berardo? Que será a acontece em todos os locais de decisão? A par disso o Governo vai patrocinando os lucros indecentes da Banca, a qual por sua vez paga em lugares administrativos senão vejamos. Armando Vara, antes de chegar à política era nada, sem curso apenas armado com um cartão rosinha e a profissão de balconista da CGD. Desde então já é licenciado em relações internacionais, talvez è moda do primeiro, passou por alguns governo a coberto das amizades e, descobriu-se, que é um administrador excelente passando pela administração da CGD (isto é que é viver o sonho americano), pela PT e agora encontra-se em vias de ir parar com os ossos ao BCP, não como balconista claro.
Os outros nomes alguns são ex ministros mas todos têm uma coisa em comum: ou são PS ou PSD. Gostei particularmente de uma conferência de imprensa de Rui Gomes da Silva em que critíca a moralidade da possível escolhe de Manuel Pinho para a Presidência da CGD (Mais um taxinho). A determinada altura o mesmo diz que, e passo a citar: "Segundo Rui Gomes da Silva, a escolha de Catroga será “um bom passo”, indo ao encontro daquilo que a liderança social-democrata “tem vindo a afirmar”: a necessidade de garantir que as personalidades escolhidas para presidirem à CGD e ao Banco de Portugal não tenham “a mesma filiação partidária de quem ocupa o lugar de primeiro-ministro”. "
Andamos doidos ou quê? Agora escolhe-se em função da cor e não do mérito? Só se pode andar completamente doente para sequer pensar tamanha parvoíce (mas como é político) quanto mais afirmá-lo em público. O descaramento atingiu pontos inqualificáveis e começo a acreditar piamente que só à bomba é que este parasitas, seja PS, PSD, CDS, os Verdes ou outros quaisquer, são externimados por completo.
Que se pode fazer relativamente a situações destas senão desejar uma bomba para cada um deles? Cunhas e mais cunhas, negociatas, favores que são pedidos e cobrados, compadrios à luz do dia de todos os que se encontram respingados pela lama partidária. Vai sendo tempo de as pessoas mudarem de atitude, que a indignação seja efectiva, que crie receio e que traga medo à vida desta gente pestilenta que são verdadeiros sorvedouros do bem comum, da coisa pública. Urge fazer algo.

segunda-feira, dezembro 24

É dia de...


O que terá levado a que John Lennon tenha composto uma música sobre o Natal, cruzando a ela um apelo pelo fim das guerras? Guerras de armas, de palavras, de actos, de injustiças, de falta de solidariedade que se resumem muito facilmente numa palavra: parvoíce. Acredito que este dia deve servir para pensar nas coisas más para tentar provocar a mudança e por isso deixo este vídeo para ajudar a pensar. Seja tudo aquilo que gostava que fossem para si, faça aquilo que gostava que lhe fizessem e deixe-se de tretas. Bom Natal para vocês e para os que vos são mais queridos. Um abraço para a malta que anda por fora em especial para Cork.

Albanês - Gezur Krislinjden ; Alemão - Frohe Weihnachten ; Armênio - Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand ; Bretão - Nedeleg laouen ; Catalão - Bon Nadal ; Coreano - Chuk Sung Tan ; Croata - Čestit Božić ; Espanhol - Feliz Navidad ; Finlandês - Hyvää joulua ; Francês - Joyeux Noël ; Grego - Kala Christougena ; Hungaro - Kellemes Karácsonyt ; Inglês - Merry Christmas
Italiano - Buon Natale ; Japonês - Merii Kurisumasu (modificação de merry xmas) ; Mandarim - Kung His Hsin Nien ; Norueguês - God Jul ; Polaco - Wesołych Świąt Bożego Narodzenia ; Romeno - Sarbatori Fericite ; Russo - С Праздником Рождества Христова S prazdnikom Rozhdestva Khristova ; Checo - Klidné prožití Vánoc ; Sueco - God Jul ; Ucraniano - Srozhdestvom Kristovym


quinta-feira, dezembro 20

Escolhas


Investigadores do ISCTE concluíram, após uma visita a cinco estabelecimentos do ensino público lisboeta, que as mesmas escolas são parciais na escolha dos alunos, dando preferências aos de melhores alunos e até à origem social. Não sendo esta uma realidade surpreendente para mim, só me resta uma dúvida: A culpa será só das escolas? Não estarão as escolas a seguir o principio da sobrevivência?
Uma mudança legislativa, já com este Governo permitiu aos pais poderem escolher o local onde querem que os seus filhos estudem. Assim sendo parece-me que os primeiros que potenciam as desigualdades são o Governo e a os Encarregados de Educação. O Governo com a medida legislativa, os pais porque, e é normal e compreensível que o façam, querem que os seus filhos estudem nas suas escolas de preferências, seja ela qual for…
O estudo dá a ideia de que as escolhas são feitas exclusivamente pelas escolas o que não corresponderá completamente à verdade. Vivemos numa sociedade muitas vezes hipócrita e o ponto de vista mais aceitável é sempre aquele que favorece a maioria ou os que têm mais poder. Nos dias que correm torna-se evidente que as escolas, as que têm essa possibilidade, se regem pelas seguintes ideias: Ter os alunos com melhores resultados, com melhor condição social, menos problemáticos, que não defraude as expectativas de alunos e pais no que concerne à avaliação. Esta última é perniciosa e é a base de alguns, senão todos, os colégios privados e de alguns públicos.
Existe uma cultura que se está a estabelecer de forma sub-reptícia de que não vale a pena a chatice de explicar, fundamentar, justificar e supra-justificar situações que são demasiado evidentes. Como refiro muitas vezes em conversas, o ónus da prova virou-se completamente e, neste momento é quase um crime chumbar alguém. A par disso os encarregados de educação (não todos mas…) ou não aparecem na escola ou apenas surgem com ideias conflituosas e desfasadas da realidade. De encarregados de educação passam a encarregados de alimentação já que apenas servem para alimentar (as barrigas dos meninos, as chatices aos professores). A escola deveria ser inclusiva mas numa sociedade cada vez exclusiva, numa sociedade cada vez mais desresponsável à milagres que são difíceis de manter. Por isso os estudos agradecem-se mas apenas quando descrever a realidade sem subterfúgios e não uma realidade particular ou orientada. Deixo o link da notícia.



terça-feira, dezembro 18

Lembrança



Fez ontem 103 anos que os irmãos Wright realizaram um sonho ancestral do Homem - voar. Munidos com um essemble de contraplacados, um motor modificado na sua loja de bicicletas (Wright Cycle Company), muitas horas de trabalho e após anos de tentativa, conseguiram percorrer trinta e seis metros e meio durante doze segundos na vizinhança das Kitty Hawks. Na tentativa seguinte o feito foi ainda melhor. Ficava feita história no dia dezassete de Dezembro de 1904, sendo o culminar de anos de trabalho por uma vontade maior. O primerio passo estava dado com o primeiro voo de um aparelho mecânico controlado mais pesado do que o ar. A aviação ganhou impulso para uma centena de anos verdadeiramente decisivos para a humanidade em todos os níveis, determinando apenas cinquenta anos depois, a firme determinação de chegar à Lua! E não é que chegámos!?
Fica a lembrança e uma das fotos que fez história.

Thinking...



Ainda não há muito tempo discorri sobre a utilidade dos rankings. Não cheguei a conclusões novas ou a conclusões para além do óbvio mas a ideia permaneceu em busca de uma explicação. Os quilómetros diários na “biatura” ajudaram a cozinhar o que se segue… Depois de reflectir, inconscientemente já que os dias têm andado preenchidos, conclui que a razão talvez se prenda com o facto de sermos uma democracia recente e, devido a isso, somos intimidados por alguns complexos. Reconheço, nos dias de hoje, a pequenez como o principal e derradeiro motivo do nosso apego sôfrego aos rankings. Provavelmente essa amargura deriva do facto do que fomos, que reconhecemos já não ser, alguns duvidam sequer que outrora fomos devido à realidade que temos. É por esta altura que surge um velho sentimento sebastianino que começa a replicar dentro de nós em ritmo morfinoso, nos dias do piorio, para ajudar a curar o desconsolo das nefastas e inevitáveis euro comparações que, dia sim, dia não, nos entram casa adentro.
Coloco a questão: Será que um mau ranking um “pecado mortal”? Melhor: O que será mais importante? Liderar rankings ou conduzir uma população feliz?
Fico-me pela segunda que, explicada, destrói a primeira. Se existir trabalho que seja coerentemente pago; se existir estabilidade e não uma pseudo-segurança do tipo “flexi”; se as pessoas (todas) forem honestas e cumprirem as suas obrigações; se existir tempo para a família acredito piamente que os rankings deixam de fazer efeito porque as pessoas estão satisfeitas e não lhe darão tempo de antena. E mesmos que eles persistam, os resultados irão verificar-se extremamente positivos e serão alcançados do modo mais correcto, isto é, de um modo alicerçado e não de um modo composto ou ficcional.
Em Portugal temos o raciocínio oposto, de que (dês)governa, ou seja, se os euro rankings dizem que não estudamos vamos dar os diplomas aos meninos! Se os euro rankings dizem que somos “uns baldas” vamos arranjar um sistema para colocar tudo na rua! O problema destes rankings e das posteriores conclusões é que apenas reflectem valores. “Interessa o porquê? Nahhhhh isso é perder tempo, já temos os valores vamos, utilizando a conclusão matemática de que “uma linha recta é a distância mais curta entre dois pontos”, arranjar um modo para melhorar os números!”, e não o que está atrás deles. O ruído que se houve à posteriori é o ruir de algo (economia, educação, justiça, saúde and so on and so on…)
É necessário perder o sentimento de “pequenez”, encontrar dentro de cada o juiz mais impiedoso das nossas obrigações e exigir o direito a uma administração competente que se reja “to the people, for the people and by the people” e estou certo de que mais cedo ou mais tarde teremos um futuro auspicioso e seremos felizes que é o que mais importa.

domingo, dezembro 16

Para rir . 4



Sem comentário...

domingo, dezembro 9

Judiarias


No passado fim de semana a Ordem dos Advogados foi a votos e ganhou o candidato que mais cedo se mostrou disponível e mais depressa começou a corrida. Os outros candidatos, sem o peso mediático de António Marinho, desvaneceram-se no pó do acelerado ritmo do primeiro e nas propostas deste. António Marinho é, como o próprio se intitula, primeiro jornalista e depois advogado. Assim sendo persiste sobre si uma aura sindical e algo conflituosa com que o mesmo parece viver bem e, de algum modo, com orgulho. E bem o pode ter já que foi ela que o terá catapultado para o topo da hierarquia da classe. Nos dias seguintes verificaram-se reacções. Umas mais solenes e típicas, outras mais ameaçadoras mas a que ficou mais no ar foi a de um antigo Bastonário, José Miguel Júdice. J.M.J., como que possuído por um diabo da Tasmânia, perdeu as estribeiras e desatou a desclassificar o recém eleito Bastonário comparando-o a Mussulini.
J.M.J. é um dos advogados mais reconhecidos da praça judicial. Já foi Bastonário, a sua opinião é sempre procurada em assuntos da classe, dá-se com o poder político e talvez por tudo isso se considere acima do resto, com direito a toda a opinião e, como tal, imune a correctivos. Talvez seja a anciania a dar mostras de que não anda longe mas as suas palavras, que inclusive se estenderam ao Bastonário cessante mostram que J.M.J. anda um pouco longe da realidade do Portugal dos Advogados, e talvez do Portugal em geral. Que classe é esta a dos advogados? Outrora uma classe de destaque, paradigma de profissão liberal, encontra-se hoje substancialmente diferente. Tal como muitas outras, sofreu muito com a massificação da minha geração o que levou a que, hoje em dia Portugal, seja um dos países com maior número de advogados per capita. Debaixo de uma qualquer pedra encontramos hoje um professor e um advogado. Isso faz com que a aura passada da classe tenha sido trocada nos dias de hoje por pouco mais que uma luta titânica para chegar ao fim do mês. É evidente que existem advogados que ganham como os bons jogadores de futebol mas, seguramente, oitenta ou noventa por cento da classe luta ou desespera com o passar dos tempos.
Tal como o resto dos Portugueses, também os advogados querem mais, melhor mas principalmente que as expectativas dos tempos do secundário se concretizem. Foi aqui que António Marinho encaixou como uma luva. Não querendo fazer exercícios de suposições sobre a sua pessoa, certo é que as suas ideias colheram na classe, provavelmente naquela mais nova. Já à época de J.M.J. a massificação se fazia sentir em força e a única pessoa, que eu me lembre, que considerou fazer umas mudanças, coerentes ou não, foi o ex-Bastonário Rogério Alves. É certo que ainda antes foi feita uma mudança, trocando um trabalho de dissertação, creio, por uma prova de exame. Não sendo esse obviamente esse o seu propósito mas essa prova é mero pró-forma já que poucos são só que ficam lá enrascados. Assim sendo J.M.J. perde em diferentes frentes, tempos, já que nem sequer deixou que Marinho se pudesse enganar e, o que é pior, perde em respeito e em falta de conhecimento de uma realidade que ainda é a sua. Digo ainda porque os convites para uns tachinhos políticos já vieram bater à sua porta e só talvez a vergonha e a contradição é que o fizeram recuar. O silêncio diz-se de ouro e, se a ele somamos coerência, obtemos diamante.

Pecados

Dedico estas curtinhas linhas a dois pecados, personalizados em duas individualidades de carácter muito duvidoso, para não dizer outra coisa. O primeiro o Presidente Venezuelano, Hugo Chávez que, algo agastado com o resultado de um referendo sobre a mudança da Constituição, disse um rosário de alarvidades e ameaças enfeitadas com rol de insultos do mais baixo calibre. Isto tudo com o tolo do Fidel a apoiar por trás, certamente, e na Televisão Nacional. Já não há snipers como antigamente... Uma força para os Venezuelanos que disseram "Não" a essa besta.
O outro é o Mário Lino. Já não chamo Ministro porque a mentira é algo que, na minha óptica, não se coaduna com a posição ou o cargo de Ministro. Esse senhor teve, não direi a lata nem o descaramento porque se nota nele treino, preparação à frente de um espelho, talvez desfaçatez de afirmar e reafirmar que jamais tinha dito "Alcochete jamais!" em plena câmara da Assembleia da República.
"São as companhias com que se dá desde há três anos a esta parte" dirá a mãe, mas eu pergunto: Que será necessário para expulsar alguém do Governo? Se algum de nós mentir, roubar, beneficiar alguém com os poderes que nos são atribuídos pela nossa posição, somos castigados mas a este meninos nada acontece. Como disse anteriormente, só com o voto já não vai chegando...
Em honra ao senhor deixo esta tira dos gatos e aproveitando umas deles - estou algo farto de ver este governo de três ou quatro oitavas a bater ferros nos portugueses.
PS: Para a Ministra da Educação. Em resultado do sistema de avaliações de sua excelência e da transposição dos mesmos para todos os patamares da avaliação educativa, faço notar para agrado da mesma, que não vai ver honorar em nada o orçamento destinado às classificações de excelente dadas aos meninos. Quem é amigo quem é?

Boas vontades...


Vivemos uma época de Cimeiras e não falo apenas naquelas que resultam directamente da Presidência Portuguesa da UE. Verifica-se uma multiplicidade de encontros bilaterais, tripartidos, com o patrocínio de uns países ou com a participação de um grupo alargado no sentido de se discutirem... coisas. Tudo talvez comece ainda durante os anos oitenta com as reuniões entre Americanos e Soviéticos, passando pelos Israelitas e Palestinianos (umas que ora fracassam, ora recomeçam e entretanto as pessoas lá vão perecendo). A moda pegou e até Portugal se orgulha, ou não, em ter organizado altas reuniões! Quem não se lembra das Lajes, que ainda só não nos valeu uma bomba porque aqui seria um desperdício, outras ainda de mediação de conflitos principalmente em África ou, mais recentemente, as que derivam da Presidência da união. Para mim, fogueiras de vaidades e de interesses descarados, mas quem sou eu?
Concentro-me brevemente em duas. Em primeiro lugar a de Bali (Quioto séc. XXII). Durante a Cimeira sobre alterações climáticas em Bali, Indonésia, surgiu uma convidada inesperada, a mãe Natureza. É verdade, ela que está em toda a parte, decidiu passar por lá e dar a sua opinião e vai daí soltou um sismo de pouco mais de cinco pontos na Escala Richter. Pode ser que o súbito abano abane consciências ou, pelo menos, atitudes. De notar que se Quioto está como está, ou vai estar, por cumprir, que será de Bali? Espero que não fiquem na memória de quem, por esta altura, ainda lá está, como uma boas férias.
Em segundo plano a Cimeira, ou Summit, Europa/África. Creio que esta resulta de um raciocínio fácil – China? Já não dá, qualquer dia ultrapassam-nos. Índia? O mesmo. O que é que sobra? América do Sul e África. América do Sul está mais ou menos coberta, existem já muitos interesses por lá espalhados e se não fosse o gang Chavéz a coisa “era nossa”. E África? Sim é melhor, que os Chineses andam a papar aqui tudo! E as moscas, e a fome e as coisas feias que há por lá? Vamos andando e vendo.
Pois bem vejo esta Cimeira como isto mesmo, o último refúgio para a Europa poder vender a sua “banha da cobra”, alargando mercados, dizendo “a gente ajuda” mas com uma mão dá e com a outra tira, muito ao estilo da Época dos Descobrimentos. Certo é também que os africanos já não vão, e bem, na conversa do pechisbeque e desta vez, quinhentos anos depois, vão tentar não perder tudo para os “caras pálidas”. E o Mundo, de repente, está a ficar pequenininho para vender tanta coisa… Nunca haverá Cimeiras a mais, apenas reias conclusões a menos.

quarta-feira, dezembro 5

Poesia . 15



Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andersen

Para rir . 3

Por motivos profissionais, acompanho algumas vezes por semana "as manhãs da 3". Esta semana foi convidado o Marco Horácio em modo "Faduncho" que deu um recital brutal, quer a dar o trânsito com a ajuda da Cláudia Semedo, quer numas cantigas mas típicas como é este o caso. Creio que o vídeo é "made by Markl", ao qual agradeço a boa ideia. Muito bom.
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Negociar? Antes Taxar!


Hoje, ao ligar a televisão, durante o almoço ou numa qualquer pausa ao longo do dia, era possível ouvir, e ver, as lamentações dos sindicalistas da função pública. Pensavam-se convidados para bolinhos e cházinho e afinal o acepipe foi outro. Curiosa é também o título que os diversos órgãos de informação, ainda, teimam em chamar a estes encontros – “Concertação Social” ou “Ronda Negocial”. Mas não fosse eu estar enganado pela… enésima vez e fui, pé ante pé, ver do dicionário e vai daí:

Negociar – v. intr. Fazer negócios; comerciar; traficar; ajustar; agenciar; promover; preparar; conversar.

Assim sendo por que razão saíram os meninos dizendo: “O Governo mostrou-se intransigente ao manter os aumentos salariais nos 2,1 por cento para 2008 e o aumento dos descontos dos aposentados para a ADSE, o que mostra um autoritarismo que não se compreende". Pois bem eu entendi! É simples, os senhores vão expectantes em negociar (os jornais são uns mentirosos) mas a reunião é para comunicar (verbo substancialmente diferente). Os parceiros sociais (outro termo algo… duvidoso) vão a essas reuniões ouvir alguém do governo dizer – como se comunicavam as notícias na Idade Média – as decisões. Episódio dramático:

O Rei, perdão, o Senhor, Magnificente, Soberbo, Grandioso, Engenheiro José Sócrates vem por este meio anunciar as seguintes decisões: 1.º O salário dos funcionários públicos será aumentado em 2,1%! Dêem-se por contentes que para o ano só Deus é que sabe! (ouve-se lá atrás: “Mas Deus não é ele também? Não, Deus é o das palhinhas que está no céu, este só pode tudo na Terra. Ahhhh”). É só.

Por isso é que eles não entendem, coitadinhos. O José “Socas”, como é conhecido lá no bairro, comunica, ou antes, taxa o aumento. Tudo o resto é produto da imaginação de milhões que querem mas não podem.

PS: Eles teimam em dizer que a inflação é de 2,1% mas esquecem-se que o resto, tudo o resto, aumenta em valores superiores.

terça-feira, dezembro 4

O meu Sporting



Nunca devemos negar as nossas convicções e é com essa ideia que divago desta vez. O título e a imagem completam o resto. O meu Sporting anda mal. Junta boas performances europeias, que empolgam os adeptos, a vitórias morais que não nos chegam a aquecer o coração. Cá dentro com o Fátima foi difícil e aos empurrões, com o Louletano só Deus é que sabe e para o campeonato o pecúlio é mísero. Em doze jogos o saldo para o primeiro é negativo em doze pontos. Um ponto por jornada. O raciocínio agora é: “de quem é a culpa”. Pois bem a planificação das necessidades foi bem feita já as escolhas foram pouco menos que desastradas. É certo que o Sporting é um clube que prima pela diferença mas queremos, e quem lá está também quererá certamente, ser igual aos bons, isto é, ganhar! Surgem então a boa política de comprar bom e barato (coerentemente isso é uma complicação) e, vai daí, aposta-se em jogadores com cartel mas que de algum modo estão esquecidos ou então, com pela de abutre, esperasse pelo jogador bom em fim de contracto que quer mudar de ares. De mão dadas com essa política está excelente aposta na formação. Formam-se jogadores de bom nível. Jogadores com carácter e que mostram vontade por chegar à primeira equipa. E nesse princípio, o Sporting teve a sorte e o engenho de conseguir formar jogadores de grande valia, não vou estar aqui a dizer quem. Outros estão na calha. È neste difícil equilíbrio que vive o meu Sporting, sempre com a finalidade de pagar os erros anteriores e que pesam nas contas do clube. Pois bem só assim parece que não chega. O treinador é honesto, conhecedor e trabalhador, logo, não é coerente exigir mais. A equipa de administradores já mostrou ser capaz de conseguir fazer bons “castings”. O Presidente, meio agoniado ultimamente, tem feito o que prometeu (reduzir o passivo) e meter-se o mínimo possível no departamento de futebol (deu estabilidade). Assim sendo o que falha. Recorro algumas vezes a este raciocínio que a Red Bull pegou para se fazer anunciar. Se temos um barco a remos com duas filas de remadores, se uma não rema, o barco faz piões na água não saindo do sítio. Pois bem é isso que está a acontecer ao meu Sporting. A táctica é exigente daí que se peça aos jogadores perfeita forma física, mental, técnica e total disponibilidade. Se fosse uma receita seria a vontade de um bicho esfomeado, com a astúcia de gato, com a potência de uma chita e com a disponibilidade cega de um zombie. Pois bem, o que vejo é algo diferente. Acredito que há jogadores bons no plantel, há jogadores em crescimento, há jogadores a pedir mais adaptação mas também há jogadores maus. Neste momento não creio que o Sporting, na pessoa do Paulo Bento, tenha material humano para construir uma equipa competitiva já que existem alguns flops, algumas lesões e um terrível pavor ao erro. O problema de errar é quando nãos e aprende nada. O Guarda-redes errou é certo mas é novo mas tem aspecto de que sabe o que está ali a fazer, entende-se com os defesas e tem imensa margem de progressão, por isso, deixe-se ficar. O Baía quando começou também era um ingénuo, vi-o chorar por levar cinco batatas mas lá se fez um bom guarda-redes e chegou onde chegou. O que não aceito é que um menino que ainda há um ano assinou contracto, venha agora dizer que quer ficar mas as pessoas também têm que querer – mais dinheiro. Pois bem o problema é simples – até 2013 tens contrato e por isso enquanto alguém não bater o cacau (30 milhões que o menino assinou de livre e espontânea vontade) o teu sito é em Alcochete. Que tenha juízo, o Pai que lhe ensine algo que deve saber, e que se dedique a jogar bola pois é isso que o fará sair para outros lugares. Como prova de boa fé, sentem o rabinho da peste no banco. Por último. Às compras sim mas com juízo, já que perdido por perdido não se perde também o dinheiro. Comprar mais valias sim para orientar a equipa para o que ainda se pode almejar e alicerçá-la segundo o lema do clube.

PS: Na formação de carácter e espírito é que há algo a melhorar...

sábado, dezembro 1

Senso comum



Que vale o senso comum nos dias de hoje? Estaria aqui pano para mangas, logo a abrir poderia estar a questão: Qual é o problema do senso comum? Nos dias de hoje não existe um senso comum alargado mas sim, e cada vez mais, um senso comum individual. São esses que explicam que seja sensato a um aluno que responda a um professor e que nada aconteça, ou que um pai ligue para o telemóvel do filho em tempo de aulas e fique indignado se o professor não deixa o filho atender, ou que se deixem morrer uma série de pescadores a 30 metros da praia por falta de uma ordem, ou que um reformado que ganhe 550 euros mensais seja considerado "classe média" e, como tal, possa pagar impostos ou que a uma pessoas com quatro cancros seja rejeitada o reforma antecipada, ou então, e para finalizar, que ao fim de 6 anos uma menina 6 anos e meio, de nome Iara seja retirada da sua família de adoção para ser entregue à mãe biológica passando a chamar-se, em modo automático, de Anabela.
O senso comum antes dava-nos a capacidade de resolvermos as questões de modo natural, educado e coerente, hoje em dia o senso comum chama-se, neste último caso da menina, Constituição da República Portuguesa e é ela, mais a leitura de um Meretíssimo Juiz, que permite que esta menina se ligue e desligue como se de um Nenuco se tratasse.
A lógica surge como missão impossível com Homens destes.

Greves


De que vale uma greve? Para os funcionários privados a palavra greve é sinal de: 1.º- aborrecimento, já que o seu dia poderá ficar arruinado quando este se cruzar com os serviços públicos; 2.º- como o seu direito à greve, apesar de estar consagrado na lei, está sujeito a represálias internas, o mesmo não é exercido e talvez por isso o achem uma vergonha e uma injustiça. Para os funcionários públicos é a perda do vencimento do dia e a inconsequência da medida em si, leva a que seja um direito cada vez menos exercido.
E lá fora? As greves são encaradas de maneira diferente, são convocadas poucas vezes, só a mera hipótese provoca grande alarme e, quando o são, têm um peso massivo e conduzem, normalmente, a mudanças. Em Portugal acontece o oposto. A população, ao contrário do que acontece lá fora, não se reúne em torno do mesmo propósito, criando divisão, aumenta a força da outra parte, passando a greve como algo inconsequente. Outra coisa situação incompreensível é a diferença nos números da adesão, mostrando que realmente este país tem uma relação complicada com a matemática. Nunca ninguém sabe, mesmo depois da vontade confirmada e consubstanciada em fiscalizar, quantos trabalhadores da função pública fazem greve. Acho que aqui a comunicação social ou o INE poderia ter um papel clarificador bastante valioso.
Aliás no que respeita a contas, a diferença entre o governo e tudo o resto (comissão europeia, sindicatos, partidos da oposição, sociedade civil) é uma constante e sinceramente não se entende porquê.
Outra questão prende-se com os chamados “direitos adquiridos” e com as condições salariais desse parte da sociedade. Certo é que, em termos globais, a função pública ainda é um local bastante apetecível. Comparativamente, a função pública é melhor no sector médio e baixo. No sector privado a questão salarial bate, sem apelo nem agravo, o sector público no que se refere a uma posição mais elevada. Apesar disso o facilitismo na função pública dá azo à pouca responsabilização das chefias o que leva a uma relação compreensivelmente complicada com a sociedade devido a uma desorganização de meios materiais e humanos. Na função pública existe de tudo, como em todo o lado só que no sector privado, quando as coisas não funcionam acabam em “suicídio empresarial” visto que as pessoas deixam de fazer negócios por lá e a alternativa existe.
Já o sector público oferece muitos serviços exclusivos e isso leva a que, não existindo alternativa, as pessoas se sintam encurraladas na “burrocracia” e sempre aborrecidas quando o serviço não é resolvido num tempo que acham coerente. Mas existe uma coisa que eu não entendo. Sempre que se pede opinião a alguém fora do sector público sobre as greves eles dizem “se estão mal que mudem de trabalho” ou “eles já ganham tanto e ainda querem mais” ou “têm tantas regalias que deviam era ter vergonha”. Considero que a fazer-se um acerto público-privado, esse acerto deve ser feito com responsabilidade e nunca numa situação de mais para menos, explico.
O que está bem será alguém que ganhe 450 euros por mês ou será que o que está mal será que alguém ganhe 600 euros por mês? 1.º- 600 Euros por mês é pouco, acho que não há discórdia; 2.º- se 600 está mal, 450 estará pior; 3.º- não é sinónimo de eficiência, qualidade ou de competitividade a existência de baixos salários e quem se rege por estes princípios pode ter um curso e ser até ministro mas da estupidez não foge; 4.º- o acerto a fazer-se será sempre dos 450 para os 600 e nunca ao invés; 5.º- no sector público nem todos ganham 2500 euros por mês, aliás e como disse atrás, serão só mesmo as chefias o que lhes confere, ou deveria conferir, exigência e profissionalismo. Devia existir mais competência da parte das chefias e alguma facilidade em afugentar a ignorância e a falta de profissionalismo.

quarta-feira, novembro 28

3.ª Via


Cronologia:
Sempre se discutiu uma alternativa viável ao Aeroporto Internacional de Lisboa - Portela. Durante os primeiros anos de discussão procuraram-se alternativas e chegou-se à pequena vila da Ota. Nos anos seguintes, de mão dada com a especulação dos terrenos, a solução Ota foi sendo aceite e os estudos, amigáveis, foram surgindo. O tempo foi passando, a par dos governos e das promessas até que chegou o actual que, em grandes parangonas e propagandas sempre desmentidas mas desmedidas, acolheram para si a resolução dessa supostas necessidade. O "suposto" é meu e explicarei mais abaixo. A necessidade de contenção fez com que a discussão saísse à rua a par do descontentamento das pessoas sobres a opção, sobre os valores, sobre os estudos, sobre a teimosia. Ota foi sinónimo, durante algum tempo, de debate acesso o que originou uma mobilização de pessoas e entidades com reconhecido valor de modo a verificar a pertinência dessa mesma opção. Estudos sobre estudos até ao dia de hoje, altura na qual, a Ota já está no tempo passado e a opção ou opções parecem ser outras. Existe uma diferença substancial - Enquanto os "(au)Otistas" renegavam, sequer consideravam outras ofertas, os novos mantêm a Ota no leque de opções, mostrando preto no branco as suas virtudes e defeitos. No dia de hoje surgiu uma nova opção que permite poupar muito do nosso dinheiro - Portela + 1. E a discussão irá estender-se, certamente mas existe uma ideia que ainda não vi ninguém explorar. Dizem que o tráfego vai em crescendo mas com a escalada (seja ela baseada em especulação ou não) do preço dos combustíveis eu acredito que o futuro das viagens será bem mais... terrestre. Se os preços continuarem a subir como até aqui será inevitável um aumento do preço dos bilhetes e, se assim for, as viagens irão atingir valores que, a par das dificuldades económicas que se sentem, acabaram por ser incomportáveis para o grosso dos viajantes. Se assim for, o tráfego irá diminuir e a necessidade de um novo aeroporto cairá na mesquinhes de um povo necessitado de obras faraónicas de modo a reforçar a auto estima e a "fazer-se ver". Até lá, as ovelhas ainda terão onde pastar.

Portugal e os rankings


Portugal e os portugueses aparentam ter uma ligação muito.. especial com os rankings. Tudo parece ter uma necessidade abominável de medição, aferição. Será devido a que a nossa jovem democracia? Será devido a uma falta de rigor pessoal com o trabalho ou de um terrível vício, ainda mal curado, de que tem que haver sempre um ditador superior para guardar o que, apesar de pouco, há para guardar? "O país do mundo com o maior panelão para assar castanhas!" ou "O país do mundo com a maior bandeira feita por pessoas do mundo" ou "O país com maior número de telemóveis, per capita, do mundo!" ou "O terceiro paises europeu com maior taxa de crime!" - tudo serve para levantar a moral, até o crime. Interessante pensar como é que ainda é possível alguém fazer algum tipo de crime, senão pensemos. Envereda pela carreira de criminoso todo e aquele menino que a sociedade excluí não é? Nãooooo, todo e aquele menino que não é educado como deve ser em casa. Esclarecidos neste ponto, voltemos. Se o menino vai para a carreira de criminoso, as suas ambições serão obviamente modestas e porquê? Bem, neste país nada anda a horas - lá se vai a planificação; os que andam na rua não têm dinheiro, os que o têm, não andam há solta como passarinhos - problema em encontrar alvos; mas considerando que o menino até encontrava um alvo e que, temporalmente tudo saia perfeito já que todos, assaltante e assaltados, se tinham atrasado, chegado o momeno da verdade ele dizia: "Mães ao ar!"... chacota quase geral (descontando os da geração do assaltante). Um velhinho diria ao menino: O plural de mão não é mães! Aqui, torna-se evidente que o assalto já o era - problema de formação. E, se por fim, analisarmos todos os últimos assaltos mediáticos, tristemente verificamos que o assaltante português não é menino de grandes produções - "Fugiram a pé", sem comentários ou "fugiram de carro", ao preço da gasolina... Que é feito dos aviões? dos helicópteros? dos disfarces? - problemas logisticos. Por isso o terceiro lugar será sol de pouca dura... até por que os assaltantes vão chegar à conclusão que, lá fora, é que se faz vida e aí sim vamos aumentar os nossos níveis de exportações, como o governo quer. Mas foi Barroso quem abriu esta porta por isso... o governo por esta não leva créditos.

Para rir . 2

Segunda entrega do blogue em versão mais light. "Professores, Mestre e afins" - e ainda dizem que só se aceitam emigrantes não qualificados.


quarta-feira, novembro 21

Olhó TACHO vai nú!



Chegou ao meu conhecimento uma singela oferta de emprego para a Região Autónoma da Madeira, mais concretamente, para a Câmara Municipal de Ponta do Sol. Parece-me um verdadeiro tacho digno do livro do Guiness! E na medida do possível vou ver o que isto dá e fazer com que toda a gente saiba deste atentado à inteligência geral! Se não eu, pelo menos a TVI. Deixo-vos ler por vocês próprios. (pausa kit-kat)
Então e que tal? Indignados? Vamos aos dados importantes:
Salário: 2487.93 EUR com ajudas porque assim ninguém se orienta.
Habilitações: 9.º Ano (3º ciclo ensino básico)!
É para fazer o quê? – Coordenar, dirigir, informar, Executar. O quê? Interessa? Coisas de políticos, isto é, de quem não quer trabalhar mas, apenas, mandar.
Para quem estudou e se mexe todos os dias, faz imensos quilómetros para ir trabalhar ao fim do mundo e fica com o dinheiro que ganha no gasóleo do trajecto, isto é um ultraje! É um atentado para quem estuda! É um atentado às regras pelas quais se deveria reger, pelo menos, a coisa pública. E por que é que lhe chamo tacho? Pois bem, vejam que o método de selecção é entrevista! E N T R E V I S T A ! Ou seja não haverá nada escrito que prove o que os candidatos sabem, de modo a que, a escolha seja o mais isenta, profissional, norteada por critérios de excelência. Nada disso, aliás até aposto que o lugar já estará orientado. V E R G O N H O S O! É esta a politica que o reino das bananas do Sr. Jardim faz longe da metrópole. E depois ainda se queixam que o dinheiro não chega ou então que querem a independência! Não olhem para trás, para longe com esses mafiosos!
Peço a todos que façam sobre isto o barulho que puderem.

terça-feira, novembro 20

SPECTRE do séc XXI



E tudo começa com a palavra fascista. Tudo começa com a imposição e recalcar da palavra fascista. Já neste blogue falei de fascismo – doutrina totalitarista orientada por Mussolini que se baseava no poder e autoritarismo sobre o seu povo. Ora bem terá sido Aznar fascista? Foi eleito democraticamente pelo povo espanhol durante oito anos, o que sugere que pelo meio ouve uma reeleição. E Hugo Chávez? Bom, é ou foi militar o que não diz muito do mesmo. Ao contrário de Aznar, não foi eleito, atacou o poder (não vou discutir sobre a pertinência ou não do acto) e no chamado golpe de estado, enviou para canto em 1992 o então Presidente Venezuelano. Como foi a Presidência de Aznar? Em tempo de “vacas gordas” fez o que deste lado da fronteira ninguém soube fazer, reformas e reformulações do estado, criou condições para que neste momento Espanha seja um dos mercados mais fortes e saudáveis da Europa. E Chávez? Nada se lhe é atribuído nos primeiros anos o que me deixa duas ideias: deve ter andado, à boa maneira siciliana, a abafar adversários (que isto de subir ao poder à força deixa muita gente incomodada) e não acredito que não se tenha chegado aos EUA para ver se pingava algo. E é aqui que tudo torce à “esquerda”, isto é, com Clinton os EUA eram um país forte em tudo – economicamente, politicamente, com uma atitude de politica externa de conciliação e para provar tal basta ver que foi dos poucos mandatos dum Presidente dos EUA sem umas chatices internacionais (guardo o momento de uma valente risada com Yeltsin). Já com o cowboy e mentecapto Bush as contas foram, certamente, outras e foi mais ou menos nessa altura que Chavéz descobriu que sabia dar…. patacoadas.
Agora, revestido de uma amizade meramente de intenções, junta-se a um gang de fazer corar os inimigos viscerais de James Bond - SPECTRE (SPecial Executive for Counter-intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion). Não se confundam, não morro de amores pelos EUA. Aliás, e como é evidente, não tenho nada contra os Americanos mas reconheço que algumas coisas que sofrem são merecidas (não me esqueço que reelegeram o - censurado! - do Bush) pela imensa ignorância em certas posições. Tenho para mim, por conversas com pessoas que por lá passaram e por documentários que tenho visto, que não sabem, muitas vezes, metade do que se passa ou das consequências das suas acções ou apoios irreflectidos. Os cowboys estão mortos e o seu tempo já passou, no entanto, acho que muitos deles ainda não perceberam isso e tenho pena por tal.
Já Chavéz denota tiques fascizantes como a passagem de uma lei que permite que se perpetue no poder ou como a repressão daqueles que estão contra estas e outras medidas como, por exemplo, os estudantes. São patéticas também as suas aparições na TV, principalmente as que protagoniza na TV estatal venezuelana onde, num registo, muito Marcelista, se dedica a fazer-se ouvir já que, de outro modo, se não fosse pela imposição ou pela educação dos assistentes, já há muito falava para as paredes. Aprende, sem dúvida, não muito rápido e com os piores. Julga-se a coberto e superior devido às reservas tão queridas, pelo ocidente, de petróleo e por isso ou devido a isso ou também por isso deve a Europa investir concretamente naquilo que permita uma maior independência desta ditadura que é a necessidade energética de modo a fugir, na medida do possível, de fascista como é este senhor e todo o seu gang.
Guardo uma palavra para Fidel Castro. Não gosto nem deixo de gostar. Acho que faz passar o seu povo por um paradigma ideal que só a ele lhe enche… as medidas, a barriga e os bolsos. Tenho imensa consideração pela sua posição sobre os cuidados de saúde a que o povo cubano está atido mas só isso não chega e, o poder da idade não ofereceu, a este velho guerrilheiro, discernimento e juízo. Principalmente juízo já que não entendo que o leva a dizer que o Ocidente tremeu quando Chávez estava a ser… estúpido. Mais valia estar calado. Para finalizar, Chávez disse que se tivesse ouvido as palavras do Rei, teria tido outra reacção. Parece-me que esta postura configura aquela situação de que cão rafeiro, que só ladra quando já vai longe.

quarta-feira, novembro 14

Governo de perna curta e nariz grande



Diz a sabedoria popular que "a mentira tem perna curta" ou que "é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo". Pois bem ou sou eu que detesto mesmo aquela gentinha ou então para o Governo só entram mesmo "coxos". "Coxos" de espírito, de inteligência, de formação, consciência, de sabedoria (podia ficar aqui horas e horas…). Confirmou-se agora que também são mentirosos. Provou-se que as afirmações do Primeiro-Ministro no debate do Orçamento, sobre o contracto estabelecido para as estradas de Portugal, e que foi rectificado pelo Presidente da República (não se esqueçam), são mentira. Disse que não se tinha ainda estudado por quanto tempo ia ser a concessão mas afinal, e ainda bem que existe papel, isso já estava estabelecido e serão 92 anos. Eu nem vou tecer considerações relativamente ao tempo de concessão só vou deixar uma nota: Muitas cidades foram nos últimos anos abençoadas com auto-estradas mas as alternativas foram destruídas para a construção das segundas. A minha pergunta é: Não deveria, no sentido de concessionar livremente as auto-estradas, o governo disponibilizar percursos alternativos? Faço questão de notar que eu posso ir, de onde quer que eu esteja, a Lisboa por Faro mas isso não creio que entre na categoria “percursos alternativos”. Ou seja com esta concessão muita gente vai ter que abrir os bolsos porque neste país, quando se privatiza, abrem-se as portas do inferno.
Num segundo episódio, que referi ontem num artigo, o Ministério da Justiça adjudicou por acerto directo (sem o normal e exigível concurso público!) a compra de cinco carros de alta cilindrada. Já nem falo no exemplo pouco ambiental que o governo passa, concentro-me antes no furar da política de contenção orçamental. No dia de hoje vem o bombeiro do governo (Ministro das Finanças) dizer que afinal “deu ordem”. Óbvia mentira que vai ter perna curta como teve a das estradas de Portugal e sabem porquê? Porque, e lembrando por onde comecei, os Ministros são pessoas “coxas” e a inveja e a lei de “quando há para um, há para todos” pode, e vai vir, ao de cima! Só falta contar o tempo para que isso aconteça. Que se seguirá? Baixa de impostos? Aumento real dos salários? Certinho é que o Inferno irá receber um bom molho de “lenha”.
Guardo para o final a genial afirmação do Primeiro-Ministro. Agradeço a risada que me deu no dia de ontem. Piadas daquelas só têm mesmo paralelo no circo. Passo a citar: este galardão não foi criado para “agradar ou massajar uma corporação”. “Não é uma operação de Relações Públicas, matéria em que não sou especialista” – mais uma mentira. Já agora. Sou de opinião que aos premiados não lhes teria ficado mal se não tivessem sequer comparecido quanto mais terem aceite esta afago “para inglês ver”.

terça-feira, novembro 13

Imagem . 10

Dívidas



Saiu a confirmação sobre o número de autarquias que estão endividadas e do valor desse endividamento. Sou sincero, sempre pensei que o valor fosse superior já que considero que é nessa Governação de proximidade que os pecadilhos e os compadrios mais se fariam notar. Eles existem mas até prova de contrário, isto é, contas mal feitas ou desorçamentação, não serão tantos quantos, pelo menos, eu acreditava. Certo é que isso nunca será um aspecto positivo, endividamento é mau veja de que prisma se veja e por muito "olhar estratégico" que se tenha. Os compadrios existem, prova disso são as falências ou desastres estruturais das cidades, e não podemos ignorar que muitos autarcas orientaram a sua vida e a dos seus sob um toldo com as letrinhas "PDM". Falta apurar isso mas há muitos que não querem ainda olhar para aí. Adiante... Confirma-se o endividamento de Lisboa mas não se confirma o seu primeiro lugar... e achei e acho estranho. Como maior sorvedor de dinheiros públicos (nossos) aparece a cidade de Vila Nova de Gaia. Se fosse uma pessoa mal intencionada afirmaria que esta notícia veio a jeito mas como não sou. No entanto não deixo escapar que, e apesar de Luis Filipe Menezes ter obra feita segundo Miguel Sousa Tavares (eu não conheço, sou sincero), este primeiro lugar é negativo. Mesmo que haja obra feita, ela não deve ser feita a qualquer custo. Posteriormente a isso, pelo menos no meu caso, não deixo passar em claro e de fazer este raciocínio: Se em Gaia, que terá os fundos que lhe são devidos, o dinheiro não chegou e a gestão foi danosa, o que será que poderá acontecer, num futuro "laranja", com os dinheiros públicos? Os gestores de V.N. de Gaia trocam-se! Muito bem mas se se recorrer aos do aparelho PSD, que outrora contribuíram para o descalabro, a situação não é mais risonha. Para onde quer que nos viremos parecemos condenados ao engano, às mentiras, aos ineptos e longe de um trajecto de excelência que só defende e segue, quem não governa. Parafraseando os senhores deputados - Disse!

Poesia . 14


Porto Sentido

Quem vem e atravessa o rio
junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende até ao mar_

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, sanjoanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
dum rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa.

Carlos Alberto Gomes Monteiro (Carlos Tê)

Justiça "topo de gama"


O estado, na pessoa do Ministro da Justiça Alberto Costa não, vai investir em obras de melhoramento, resmas de papel, tinteiros, pessoal, meios informáticos e demais necessidades prementes do sistema judicial, vão ser CARROS! Espera, espera! Não vão ser carros quaisquer! Aí não? O que é que disse o tipo lá do fundo? Carros ecológicos? Parece maluco... Vão ser bombas!!! Da al-Qaeda? Nãaaaaaaao, daquelas que nos ultrapassam, quando vamos sossegados na nossa vidinha pelas auto-estradas, cheias de luzinhas (parecem uns ovnis) como se fossem um vendaval, que prometem arrancar pela raiz qualquer coisa que se lhes apareça pelo caminho, até o Vasco Uva. É só números grandes - 140 cavalos (fora os que...), 176 000 euros, 210 km/h e tudo por ajuste directo (que a AutoEuropa não ficou cá de borla) Amigos do ambiente? Nada disso, que a Galp ainda é nossa!
“E a contenção orçamental? É pá deixa lá isso! E os tribunais, que nas pessoas dos Magistrados, dos Advogados, do Ministério Público e demais órgãos, se queixam de falta de "ovos para a omoleta”? A galinha dos ovos de ouro é minha, não a dou a ninguém!" Um exemplo parece ser sempre um bom exemplo até quando vem de cima...
A justiça é lenta mas vai ser lenta em topos de gama.

Para rir . 1

Saí da cadeira onde escrevo e olhei "à volta". Nesse instante percebi que não consigo fugir "à alfinetada" sobre a actualidade. Não consigo, leio algo ou oiço ou vejo e ganho automaticamente duas coisas: a de me achar no direito de ter algo para dizer sobre o assunto (o chamado "meter o nariz") e a vontade que tenho de escrever isso aqui, já que ninguém num raio apreciável está com vontade de ouvir as minhas sandices. Ora bem... só assim não dá, para bem do quórum mental quer de quem lê, quer de quem escreve because it can rain all the time. Vai daí, e alguns dirão "enfim!", vou colocar aqui semanalmente (não me comprometo como o governo, vou fazer os possíveis algo que é mais do que executivo já faz) um vídeo que seja cómico. Qualquer coisa que anime no meio de tantos... insólitos.
Aqui fica o primeiro vídeo, enjoy.

domingo, novembro 11

¿por qué no te callas?


Decorreu por estes dias a XVII Cimeira Ibero-Americana a qual tinha poucos temas de interesse. Não existiam, à partida, grandes pontos de interesse e creio que a dita Cimeira aconteceu apenas porque o calendário assim o ditava. Quando isso acontece é porque mais vale enveredar por outro caminho. O único ponto de interesse centrava-se na ida ou não do Presidente Hugo Chavez. A dúvida foi desfeita às primeiríssimas horas do dia um da Cimeira com o avião do Presidente venezuelano a aterrar em solo chileno.
Restavam algumas dúvidas já que o Presidente venezuelano é conhecido pelas suas posturas muito pouco ortodoxas, dirão uns, algo alteradas, dirão outros, sobre certas questões. Não foge da retina que Hugo Chavez está, na sombra de umas reservas interessantes de petróleo, a tomar certas atitudes que fazem trazem, pelo menos a mim, a memória de Fidel Castro. Se por um lado a sua subida ao poder foi benéfica já que serviu de "stop" às economicistas pretenções Norte-Americanas relativamente à facilidade com que se prestavam a deitar a mão ao ouro negro venezuelano, por outro lado, a embriaguez de poder está a tornar-se o seu pior aliado. O cúmulo interno foi a aprovação de uma lei que permite que o mesmo se candidate ad eternum à presidência venezuelana (o homem já se terá esquecido, e fê-lo facilmente, do que é estar do lado da luta). Isso levou os estudantes à rua em protesto o que levou a que, como já se sabe que os facistas fazem, que a policia fosse para a rua de cacetete em riste a distribuir a "doutrina" por aqueles "mal educados".
Internacionalmente o cúmulo foi atingido ontem quando, a pretesto de não-sei-o-quê, o senhor Chavez se lembrou da palavra facista. A poder ou coberto de uma certa intolarável incontinência verbal, jorrou vezes sem conta o termo associado ao nome ex-Presidente espanhol. Pouco habituado a ambientes diferentes daqueles que o seu novo, intimidatório e abusador, para o povo venezuelano, status o Presidente Chavez esperaria que a Cimeira fosse conivente com a situação. Pois bem, o caso foi diferente e teve duas reacções. Uma educada e conciliatória mas intransigente por parte do Presidente espanhol e outra contundente e quiça, com raizes tugas, do Rei Juan Carlos que não teve pápas na língua e vai daí disparou: "¿por qué no te callas?". Só pecou, no meu entender, por duas coisas: Primeiro: Faltou ao Rei levantar-se de dar dois tabefes no estafermo. Em segundo, a reprimenda já foi tarde já que as verborreias do senhor há muito que ultrapassam o admissível.
A Cimeira não se resume a isso mas será isso que irá ficar para os livros de história.

sábado, novembro 10

Os Justiceiros


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E a ASAE atacou de novo e de tal maneira que até o Barbas, reconhecido Benfiquista e ferrenho adepto, diz que este fim de semana não vai ao estádio da Luz para estar de plantão à porta da referida autoridade em modo de reclamação. A ASAE continua a não deixar pedra sobre pedra...

Portugal, o país "yorn"



Fez ontem notícia que as custas legais de Fátima Felgueiras, que supostamente se orientou de maneira ilícita enquanto Presidente da Câmara de Felgueiras, são pagas pela mesma edilidade! Serei eu ou esta situação é merecedora de um prémio "Yorn"? Não sei bem sequer que mais poderei escrever neste artigo para mostrar toda a minha incredulidade e toda a minha vergonha por este país.
Quando um cidadão não tem dinheiro as custas legais são suportadas pelo estado através do chamado advogado oficioso. A senhora Fátima Felgueiras, devido à... Ignorância (?) de alguma população felgueirense, voltou a ser eleita, e assim a sua situação económica não será certamente compatível com a necessidade de recorrer às tais ajudas oficiosas. Não sei se foi graças aos senhores legisladores deste país por quem, a ser verdade, começo a ter cada vez menos respeito, ou se esta... janela foi instituída pela mesma senhora. Certo é que parece existir algum tipo de artigo que possibilita a que a senhora de Felgueiras reencaminhe a conta para a mesma edilidade. Resumindo: A senhora de Felgueiras certo dia pegou (supostamente) num saco. Era azul. O saco era mágico e sempre que este se abria davam-se os milagres da multiplicação e da aparição de dinheirinhos.
E quando o saquinho, ficou cheio de dinheirinho a senhora ficou contente mas outros ficaram chateados. Numa noite soube que uns meninos, chamados os "pejótas", iam ter com ela para saber coisas deste saquinho. Como ele era mágico, ela não estava disposta a deixar esses meninos mexerem nele e vai daí, antes que se fizesse tarde, foi confirmar a beleza das praias de Copacabana e da vida despreocupada. Mas as saudadinhas eram muitas (aliás os manos brasileiros e os acordos de extradição ajudaram a isso) e ela acabou por voltar com a promessa de não levar muitas "palmadas". Alguns meninos estudam agora o saquinho para saber de onde vem tal magia só que esses meninos não andam a ar. Nem esses nem o menino que a senhora de Felgueiras arranjou para guardar a magia e é exactamente este que passou um pepelinho, que vale dinheirinho e que afinal quem vai pagar, não é pessoa são pessoas e como é a dividir por uns... 10 milhões calha pouco a todos e por isso não se deve queixar.
O tio Isaltino será o senhor que se segue? Não sei mas parece que nós temos que as costas largas.

sexta-feira, novembro 9

Fogo fátuo


O país não vai bem e isso, toda a gente sabe. Uns tempos estranhos que teimam em não passar e que fazem questão de se arrastarem como o andar pesadão de um imenso elefante. Um elefante que não alinha num mimo em troco de um outro mimo, desta vez económico (toque da sineta), em sentido inverso. É neste espírito de contradição que está o país e o Governo. Pois bem, foi então este o espírito que levou imensa atenção e quiçá, gente, para frente da TV durante esta semana.
Prometia muito o debate do Orçamento de Estado. A constante luta por saber que é que afinal sabe somar, multiplicar, dividir e subtrair. A constante disputa por saber que vai dar a estocada na besta ou, se pelo contrário, será a besta a estocar os "jovens destemidos". Este debate tinha ainda, esperava o país interessado, um duelo mitológico já que, transpareciam os meios noticiosos em letras "néon", Sócrates ia encontrar a sua (andava doido para escrever isto) Nêmesis - Santana Lopes. (Era nesta altura que se ouviria isto). Mas no meio de tanta euforia, sentimentos mortíferos e vinganças bolorentas, alguém se esqueceu de algo muito importante: Estamos em Portugal. Resultado: O debate foi como se esperava, um interminável fiada de bocejos e pouco ajuste de contas em nome dos abusados portugueses.
O debate foi fraco e como se suspeitava ninguém "roeu a corda", isto é, ninguém teve a coragem de dar alguma emoção apesar de que, a certo ponto, o grupo açoriano prometeu mas não cumpriu. O menino ficava chateadito e então... Certo é que o documento lá foi aprovado com a maioria dos alinhadinhos, dos zombies cor-de-rosinha e o resto dificilmente fará história. Mas não desmoralizem já que apesar de se perder mais um ano, ou melhor, segundo o Sócrates, se ganhar(!?) mais um ano de boa governação, há uma confirmação cientifica mundial que foi conseguida neste país. Confirmou-se que o Inferno existe, chama-se Assembleia da República e é lá que pagamos os pecados havidos e por haver. E que faz a malta que daquilo vive? Falam, falam...

terça-feira, novembro 6

Da bola...


Ora estas breves linhas servem apenas para dois propósitos, sendo que os mesmos valem o que valem. Ao Luís Figo votos de melhoras numa situação nova já que é a 1.ª vez, salvo erro, que ele sofre uma lesão grave. O rapaz é forte, vitaminado, profissional e determinado por isso esta foi a primeira semana de recuperação.
A 2.ª nota é para Pedro Mantorras. O jogador do S.L. e Benfica assistiu um taxista nas proximidades da sua residência em virtude do primeiro ter sofrido um ataque cardíaco. Mostrou ter a calma suficiente para procurar ajuda para aguentar o senhor até chegar o INEM. Terá sido decisivo? Não sei e apenas importará ao taxista mas o acto é de louvar.

quarta-feira, outubro 31

Deixem estar o porquinho


Pede-se insistentemente e cada vez mais que os portugueses poupem. De onde vem esta onda gastadora? Bom, durante anos e anos, este foi um país privado de muitas coisas, não só de luxo ou de capricho, mas sim de influência básica. Com o 25 de Abril as coisas rumaram noutro sentido apesar de ter havido anos bem complicados nos anos subsequentes. Os anos oitenta trouxeram um crescimento apreciável dos salários e muitas pessoas compraram o primeiro automóvel, as férias na praia tornaram-se possíveis, nuns casos, e regra, noutros. Podia passar aqui muito tempo a fazer comparações e só se concluiria o que já disse: As pessoas tornaram-se gastadoras por que viveram anos e anos com salários baixos e, com a chegada dos aumentos, as pessoas acabaram por optar por uns mimos mais que merecidos.
Passou-se então de uma altura em que o pouco era regra e a poupança, mesmo que pouca, era um hábito para uma situação de vida mais folgada onde as vontades se tornaram reais. Que temos hoje? Primeiro temos uma debandada dos jovens. Eu próprio, fazendo um exercício, constatei aqui que são muitas as pessoas com que me relaciono que optaram por ir para fora porque aqui não dá. Por outro lado temos uma geração instruída que, pagando pelos erros dos mais velhos (e que em certa medida acabou também por nos beneficiar), acaba por ver a sua situação complicada apesar de ter estudado e de esperar algo melhor. Os laços perdem-se nos quilómetros feitos, nas trocas sucessivas de local de trabalho, na instabilidade profissional o que leva a que o curso normal de uma vida se torne impossível de realizar a dois quer fora da alçada paterna.
Que opções existem? A primeira é arriscar a vida a dois o que leva a uma sucessão e acréscimo de problemas sob a forma de facturas, prazos e necessidades que urge dar resposta. Aqui largam-se sonhos, carreiras em prol de valores adoptados em comum e que no extremo, quebra o que parecia inquebrável. A segunda é fazer as contas e ver que não dá (sou adepto, por muito que me custe, desta). Não dá por muita matemática que a minha santa instrução me tenha dado a conhecer ao longo do meu trajecto escolar e universitário. As contas não saem e assim sendo eu também não saio.
Isto tudo a propósito de quê? 118%. Este é outro número que os portugueses, ignorantes em matemática e vencidos por rankings enganosos, têm que apontar. 118% é o valor do sobreendividamento daquelas famílias portuguesas que arriscaram ou que não fizeram as contas. Pedem para que as pessoas poupem é certo mas isso torna-se algo complicado quando temos a quinta taxa mais alta de desemprego a 27 sendo que a mesma é enfeitada com bastantes licenciados (pessoas que sabem fazer as tais contas). É complicado quando o exemplo não vem de cima: reformas chorudas, carros de alta cilindrada (que se lixe Quioto), corrupção a torto e a direito etc etc. É complicado quando a pobreza atinge três milhões de portugueses, valor esse que subiria para quatro milhões se não houvessem rendimentos mínimos atribuídos. Assim sendo que até quereria poupar não pode. Já é uma sorte ganhar dinheiro de modo a poder pagar as contas. Pagar contas torna-se um luxo num país em que existem mais pessoas do que se pensa a pagarem para trabalhar. A taxa de poupança atingiu o valor mais baixos dos últimos quarenta anos.
Digam-me, olhando de fora, que se poderia dizer de este país no Dia Mundial da Poupança?

PS: E os bancos continuam a aliciar as pessoas via telefone propondo endividamentos sendo que o Governo não faz nada.
PS1: Se o Governo quer combater o suicídio nas polícias que se deixe de tretas: pague salários decentes, normalize os turnos, equipe as polícias, não aceite qualquer triste que se candidate para as forças. Depois coloque os psicólogos e faça a propaganda que quiser.

sábado, outubro 27

Imagem . 9


Poesia . 13


Súplica
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Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
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Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
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Miguel Torga

sexta-feira, outubro 26

M.E. - Os Estúpidos


Nem sei bem, no momento que escrevo este artigo, para onde é que ele vai nem qual vai ser o seu título. O que me move? Os alunos vão deixar de poder ser retidos (chumbados) por faltas. Nem sei que diga. Já me acontece dar um bloco e meio de aulas, que corresponde a 135 minutos, que se encontra dividido em três aulas de 45 minutos. O Ministério atira uma circular dizendo que os meninos apenas estão sujeitos a uma falta em vez de três como seria normal. Já os docentes continuam a "chumbar por faltas" e a verem cada aula de 45 minutos ser castigada com uma falta. Mas que vem a ser isto? Não falo como professor (que Sócrates diz que não sou) mas como aluno que fui! É desrespeitador para todos os que fomos, um dia, alunos! E não chumbando por faltas que lhes acontece? Fazem um teste ou dois ou os que forem precisos até eles serem obrigado a passar. Quem os faz? Os mesmos de sempre. Já estou a imaginar:
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PAI - Ó Zé este mês não vais às aulas que temos que ir vindimar!
FILHO - Mas ó paizinho assim chumbo?
PAI - Não chumbas nada. E olha prepara-te que em Janeiro vamos para a Galiza que vão precisar de gente para a nova auto-estrada!
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Qual é a ideia destas medidas? Preciso de um iluminado que explique já que sozinho não consigo chegar lá mesmo sendo alguém letrado como eu. Será que é possível? Será que não é... hmmmm deixem pensar numa palavra... talvez o Professor Chibanga ajude... ESTÚPIDO!? Quem será que está no Ministério? Não acredito que haja vida inteligente no Ministério da Educação. Até o Gervásio (aquele simpático macaquinho que aprendeu a reciclar) já teria percebido por esta altura a tamanha incompetência que reza pelo Ministério só há outros simios que deviam saber mas...
Por falar nisso, esta medida foi aprovada pela maioria do PS com os votos contra de todos os outros partidos. É triste quando se paga e bem a uma série de gente que não sabe mais do que acenar com a cabeça, seguir directrizes de outros e a viver agachada. O Gervásio é assim, aprende com os outros e isso faz-me pensar que estaremos provavelmente a ser governados não desde a Assembleia da República mas sim desde o Jardim Zoológico.
Por favor Senhor Presidente, dê umas vergastadas nessa gentinha.
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PS: Parafraseando, relativamente à Confederação Nacional das Associações de Pais e à pessoa de Albino Almeida, uma frase do Snatch ("põe-lhe uma trela antes que seja mordida") acho que a dita associação devia ter mais consciência naquilo que afirma. Só diminui a sua posição e a sua imagem, já de si de pouca inteligência, junto da opinião pública. Outros alinhados.

Never ease the brain!


Por vezes surgem certas notícias sobre os políticos que me deixam com bastante raiva. Não consigo afastar da ideia que todos eles são uns incompetentes, que a única coisa que os move são os lobbys e os compadrios tudo com um propósito de proveito próprio, não deixando para plano nenhum os compromissos que têm para com os cidadãos. Acredito que a política é a disciplina que mais urge tratar neste país dada a falta de ética e de valores morais que, vezes sem conta, sobe ao cimo das manchetes dos jornais e me deixam com uma raiva quase demente. Daí, por vezes puxar pela frase: "só quando os políticos tiverem medo de andar na rua com receio de apanhar uns merecidos açoites é que as coisas vão ao sítio!" e juro que é o que sinto.
Pensava que sofria de complexo "Che Guevara" ou algo pelo estilo mas eis que hoje, no suplemento P2 do diário Público, surge um maluco, aparentemente, como eu ou será que sou eu como ele? Adiante… Diz a crónica que eu um pensador, um ensaísta. Não conhecia nem creio ter alguma vez lido algo seu, sou sincero. Que tem 80 anos (já deve ter pensado a sua parte e a de muitos outros) e está radicado em Cambridge. Veio a Lisboa dar uma palestra sobre se o conhecimento científico estará perto de atingir o seu limite. Esteve por cá e quem foi diz que não deu o tempo como perdido já que George Steiner, de seu nome, surge nas crónicas como um comunicador nato, incrivelmente actual e absolutamente contagiante.
Sobre o tema da palestra creio que a ciência avançará até onde o seu poder perscrutador (avanços no sistemas de calculo e de observação) permita. Nunca me irei esquecer do dia que vi o primeiro microscópio de varrimento a trabalhar e que, com ele, me foi permitido observar pela primeira vez, qual Argonauta, muitos dos termos abstractos que fui ouvindo no meu tempo de aluno. Nunca me esqueço de que para “observar” um átomo ele é quase destruído durante essa empreitada. Como me foi referido: “Com esta máquina, é como se quiséssemos ver uma bola de basquetebol, atirando contra ela, para o conseguir, uma bola de andebol.” O limite, para mim, está nos instrumentos já que a nossa capacidade de estudo está completamente dependente dos avanços tecnológicos em termos instrumentais. Mas voltando ao início…
Steiner, como ensaísta e pensador que é, não se limitou e muito bem ao tema da palestra e derivou por outros temas. Também discorreu sobre a existência de pobreza no mundo actual e asseverou que não entende como é que os pobres, munidos de uma raiva extrema, ainda não se revoltaram com as injustiças de que são alvo. Ou como é que os desempregados ainda não assassinaram o patrão que os colocou nessa situação desesperada antes de o mesmo entrar no seu carro de luxo em direcção ao avião para umas férias paradisíacas em “Barbados” às suas custas. O que viria a seguir? Os políticos, claro. Que diria ele? "Só quando os políticos tiverem medo de andar na rua com receio de apanhar uns merecidos açoites é que as coisas vão ao sítio!", quero acreditar.

quarta-feira, outubro 24

Agarra que é LADRÃO!


Numa altura de suposto aperto de cinto, das calças a tal ponto que até as ceroulas já não cabem e onde se pensa que o esforço é universal heis que surgem notícias como a da manchete do Correioda Manhã de hoje. Pensava-se que os direitos adquiridos tinham-se perdido mas parece que eles perderam-se menos para quem se arrasta vergonhosamente pelos passos perdidos da Assembleia da República. Feitas as contas, em 2008 as subvenções aliás os ROUBOS VITALÍCIOS irão ultrapassar os 8 000 000 de euros.
Encontramos sujeitos como Almeida Santos que só me deixa mais sossegado porque colecciona já 81 primaveras. Mas está lá Isabel de Castro que pelos Verdes vestiu a camisola mas que agora a troca pela dos cifrões aos 52 anos. E como eles muitos mais. O ROUBO ganha contornos escandalosos numa altura de suposta contenção onde os únicos a conter parecem ser os mesmos, faltando apenas conter a respiração em prol dos limites impostos para Portugal dos níveis de CO2. Numa década e meia é possível constatar que o números de beneficiários com estes roubos descarados e vitalícios passaram de 141 em 1993 para 383 para o ano de 2008. Volto a dizer, só quando essa escumalha tiver medo de andar na rua com receio de apanhar uns merecidos açoites é que as coisas vão ao sítio! Agarra que é ladrão!

Sons estranhos


Sei que vou algo fora de tempo mas isto andava a pedir um artiguinho. Ora bem, o Procurador-geral da República apareceu no semanário Sol, a propósito do primeiro ano no cargo, numa entrevista que não passou desapercebida. O caso já foi, e ainda está a ser, objecto de debate ao ponto de as suas afirmações lhe terem valido um dia na casa de todos nós.
Não sou discorrer muito a não ser em duas afirmações proferidas por Pinto Monteiro. A 1ª tem a ver com a banalização ou não das escutas telefónicas. O Procurador afirma que sim, já eu penso que não pelo seguinte. Se fizermos um exercício de raciocínio sobre os casos mais mediáticos com que este país se debate, verificamos que na maior parte deles houve necessidade de recorrer às ditas escutas. Aliás segundo a Lei, as escutas só podem mesmo ser utilizadas quando existe fundamento para se concluir que, sem elas, não há caso, havendo no entanto crime. E eu pergunto: Se não fossem as escutas que seria de certos casos que surpreenderam a opinião pública, reconhecidamente serena e pacata? Pois, o mais provável era não se conseguir fazer prova e daí o crime e o criminoso, permaneciam como estavam, sossegados.
Por isso, para mim, escutas sim sempre e quando a investigação não tenha, em tempo útil outro modo de fazer prova de crime.
A outra afirmação reside no facto de que o Procurador teme que o seu telemóvel esteja sobre escuta. Se assim é, e se eu estivesse no lugar dele, a primeira coisa que faria era averiguar essa situação do modo mais sigiloso possível e isto porquê? Imaginem que têm um galinheiro e desconfiam que anda por ali a rondar uma raposinha farfalhuda. O que fazer? Hipótese A: Gritar a pleno pulmão “Eu sei que andas aí raposinha farfalhuda, eu vou-te agarrar!” ou, em oposição, hipótese B: cogitar um plano infalível à moda do “Ranger do Texas” para apanhar a raposinha com a mão na massa de modo a poder “aparar-lhe o pêlo”. Eu fico-me pela “B”. Pinto Monteiro ao inclinar-se pela “A” fez com que a “raposinha” desliga-se o sistema de modo a não ser apanhada e quando a poeira baixar, toca de voltar a ouvir as conversas do Senhor Procurador.
Não vou pegar pelo comentário de quem não deve não teme, porque estamos a falar do Procurador-geral da República. Não é uma questão de temer, mas sim uma questão de reserva que o Estado que fazer prevalecer, numa figura que se quer autónoma, independente e não aliciavel. Aqui entra a última questão: Se realmente anda ali uma raposinha, ela só pode vir de dois lugares: SIS (que está sob a alçada do Primeiro ministro) ou dos Juízes. O SIS sabemos de quem pode estar a mando, já os Juízes… Já no que toca à ida do Procurador e do Ministro à Assembleia… não lhe reconheço grande valor à distância, pode ser que algum resvale.
Que abra a caça à raposa!

terça-feira, outubro 23

School Uniform


Hoje, e passados seis anos do início de tudo, confisquei a minha primeira arma a um aluno. Não é nada que me apraz assinalar, no entanto a situação, não deixa de dar direito a uma reflexão, principalmente numa altura não muito famosa em termos educativos, ao invés do que se quer propagandear a coberto e conivência da comunicação social.
Não dou aulas num local como Lisboa ou Porto em que a propiciação e a proliferação desse tipo de situações serão parte do dia-a-dia de colegas meus. Dou aulas num sítio pacato e não seria aqui que eu esperava, se é que algum dia esperei, vir a fazer tal apreensão! Não fiquei orgulho, fiquei mais bem triste. Mas porque é que uma arma branca andaria nas calças daquele rapaz?
Não é nenhum garoto para não saber que isso era um objecto proibido em todo o lado, nem falo no perímetro escolar. Mas mesmo que fosse, o que nos lavaria a cair na virginal ideia da Ministra de que uma mudança no Estatuto do Aluno iria ajudar a que situações dessas se esgotassem à medida do passar do tempo. Que acham? Bom, eu questionei os alunos (dessa turma de “amorosos” adolescentes) sobre se sabiam o que era o Estatuto do Aluno. Zero respostas certas, aliás profundo silêncio apenas rompido por um “o quê!?” pelo totó da turma. De que serve haver um Estatuto se ninguém, que devida, está a par dele? Nem Encarregados de Educação, nem alunos a quem esse estatuto diz, capital, respeito. Influências, pensei.
Perguntei sobre a incompreensivelmente famosa série da TVI, principalmente no que toca às técnicas usurpação, ameaça, intimação, conluio, arranjinhos usadas no argumento da dita série e aí o resultado é outro. Acrescem os problemas de sempre sobre as vidas das famílias, que hoje em dia, não têm solução fácil e se perpetuam no tempo. O Pai está longe a trabalhar (50km, 100 ou na Suiça) e a mãe “não tem mão neles”. Ou então pura e simplesmente ninguém se chateia ou lembra do menino. No entanto esperam que, deixando-o na alcofa ainda bebé à porta das escolas, os Professores eduquem (cientifica e familiarmente) os meninos e os entreguem já consumados e, de preferência, com o canudo na mão de novo à procedência. Caricato mas infelizmente muito mais real do que seria lógico.
Em função disto tive uma ideia grotesca e que já havia circundado a minha mente. Qual é o Currículo da Ministra? Pois bem, é Socióloga. Aqui deixo o link que aconselho a ver. Aulas que é bom só na Universidade e em “Paleio Soviético”. Não tenho nada contra ou aliás tenho tudo contra esta disciplina e estes formados. Filosofia, acho importante e classifico uma aberração que até se tenha pensado em retirá-la dos currículos escolares. Já no que toca à Sociologia… Não se pode gostar de tudo. Acho que no dia em estes senhores e as suas técnicas educacionais irromperam pelas escolas, Direcções de Educação ou no Ministério e obtiveram “tempo de antena”, a escola nunca mais foi a mesma e para pior. E os pais com uma vida exigente deixaram-se contagiar disso. Posso com toda a certeza afirmar que com a Sociologia nunca aprendi nada e recordo, fez seis anos em Setembro, a minha primeira aula em que a Sociologia não me serviu de nada quando aquela milícia irrompeu a sala de aula como se de um estampido se tratasse. O que resultou? A força bruta.Que fazer à escola? Se estivesse aqui um sociólogo, a debitação de teorias e axiomas seria de tal modo célere que deixaria as pás de uma ventoinha envergonhadas. Eu fui aluno uma série de anos, sou professor há seis e só sei que assim isto não serve ninguém e que quando eu era aluno a canção era outra. Já agora um estoiro bem dado, na hora, certa nunca fez mal a ninguém, nem a mim. Faltam Professores de primeiro ciclo “à antiga”. “É de pequenino é que se torce o pepino”